Arco Elétrico de Soldadura — Princípio, Escorvamento e Parâmetros
Introdução
O arco elétrico é a fonte de calor utilizada nos processos de soldadura por fusão mais comuns: SER/SMAW (111), MIG/MAG (131/135), TIG/GTAW (141) e arco submerso (121). Compreender o seu comportamento é essencial para controlar a qualidade da soldadura.
O arco é uma descarga elétrica sustentada entre dois condutores (elétrodo e peça), que gera temperaturas entre 5.000°C e 30.000°C no plasma, fundindo o material base e o material de adição.
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Princípio de Funcionamento
Ionização do gás
O arco elétrico funciona porque o gás entre o elétrodo e a peça se torna condutor de eletricidade por ionização. Os átomos do gás perdem eletrões e formam iões positivos, criando um canal de plasma por onde a corrente flui.
Para que o arco se estabeleça, é necessário:
- Uma diferença de potencial suficiente (OCV — Open Circuit Voltage)
- Um meio ionizável (ar, gás de proteção ou vapores do revestimento)
- Uma distância adequada entre elétrodo e peça
Zonas do arco
O arco divide-se em três zonas com temperaturas distintas:
| Zona | Temperatura | Função |
|---|---|---|
| Zona catódica | ~3.000°C | Emissão de eletrões |
| Coluna do arco (plasma) | 5.000-30.000°C | Condução da corrente; geração de calor |
| Zona anódica | ~3.500°C | Receção de eletrões; maior parte da energia térmica |
A polaridade define qual o elétrodo e qual a peça que funciona como cátodo ou ânodo, o que afeta a penetração e a taxa de deposição.
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Escorvamento do Arco
O escorvamento é o ato de iniciar o arco elétrico. Existem duas técnicas principais:
Técnica por toque (Tap start)
- O elétrodo toca a peça e afasta-se imediatamente
- O curto-circuito momentâneo aquece a ponta e inicia a ionização
- Usado em SER (111) e MIG/MAG (131/135)
Técnica por riscamento (Scratch start)
- O elétrodo risca a superfície da peça como um fósforo
- Gera calor suficiente para iniciar a ionização
- Comum em SER com elétrodos celulósicos
Escorvamento HF (High Frequency)
- Um gerador de alta frequência cria uma faísca sem contacto
- Usado em TIG (141) para evitar contaminação do elétrodo de tungsténio
- O arco inicia-se sem tocar na peça
Escorvamento Lift-Arc
- O elétrodo toca a peça com corrente reduzida, depois afasta-se e a corrente sobe
- Alternativa ao HF em TIG — evita interferências eletromagnéticas
Regra importante: No SER, o escorvamento deve ser feito à frente do local onde se pretende iniciar o cordão, para evitar marcas (arcos parasitas) no material base.
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Comprimento do Arco
O comprimento do arco é a distância entre a ponta do elétrodo e a superfície do banho de fusão. É um dos parâmetros mais importantes controlados pelo soldador.
Efeito do comprimento do arco:
| Comprimento | Tensão | Efeito |
|---|---|---|
| Curto | Baixa | Maior penetração; arco concentrado; menos salpicos; risco de colagem ao banho |
| Médio (ideal) | Normal | Arco estável; boa fusão; controlo adequado |
| Longo | Alta | Arco instável; maior largura e menor penetração; mais salpicos; porosidade (falta de proteção) |
Regra prática (SER): O comprimento ideal do arco é aproximadamente igual ao diâmetro da alma do elétrodo.
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Sopro Magnético (Arc Blow)
O sopro magnético é o desvio do arco elétrico causado por campos magnéticos assimétricos. Ocorre principalmente com corrente contínua (DC).
Causas:
- Posição da ligação à terra (massa) em relação à soldadura
- Magnetismo residual na peça (especialmente tubos e peças de grande massa)
- Geometria da junta (cantos, extremidades)
- Proximidade de materiais ferromagnéticos
Efeitos:
- Arco instável e desviado
- Falta de penetração
- Mordeduras num dos lados
- Salpicos excessivos
Soluções:
- Mudar para corrente alternada (AC) — elimina o sopro na maioria dos casos
- Reposicionar a ligação à terra — colocar do lado oposto ao desvio
- Usar duas ligações à terra — uma de cada lado da junta
- Reduzir o comprimento do arco — arco mais curto é mais estável
- Desmagnetizar a peça — enrolar cabos de soldadura à volta da peça e fazer circular DC, reduzindo progressivamente a corrente
- Soldar em direção a uma massa intermédia — criar pontos de terra provisórios
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Parâmetros do Arco
Corrente (Amperes)
- Determina a penetração e a taxa de deposição
- Mais corrente → mais penetração, mais deposição, mais calor
- Limitada pelo diâmetro do elétrodo/fio e pela posição de soldadura
Tensão (Volts)
- Relacionada com o comprimento do arco
- Mais tensão → arco mais longo → cordão mais largo e plano
- Menos tensão → arco mais curto → cordão mais estreito e convexo
Velocidade de soldadura
- Afeta a entrega térmica (heat input) e a geometria do cordão
- Mais rápido → menos penetração, cordão estreito
- Mais lento → mais penetração, cordão largo, risco de sobre-espessura
Entrega térmica (Heat Input)
A entrega térmica é calculada pela fórmula:
ET = (V × I × η) / v
Onde:
- V = tensão (Volts)
- I = corrente (Amperes)
- η = eficiência de transferência (0,6 a 0,99 conforme o processo)
- v = velocidade de soldadura (mm/s)
| Processo | Eficiência (η) |
|---|---|
| SER / SMAW (111) | 0,80 |
| MIG/MAG (131/135) | 0,80 |
| TIG / GTAW (141) | 0,60 |
| Arco submerso (121) | 0,99 |
| Plasma (15) | 0,60 |
A entrega térmica afeta diretamente a ZTA (zona termicamente afetada), a velocidade de arrefecimento e, consequentemente, a microestrutura e propriedades mecânicas da junta.
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Tipos de Corrente
| Tipo | Sigla | Características | Uso principal |
|---|---|---|---|
| Corrente contínua, elétrodo positivo | DC+ / DCEP | Maior penetração; mais calor no elétrodo | SER básicos, MIG/MAG |
| Corrente contínua, elétrodo negativo | DC− / DCEN | Menor penetração; maior taxa de deposição | TIG, SER rutílicos |
| Corrente alternada | AC | Sem sopro magnético; penetração intermédia | SER rutílicos, TIG alumínio |
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